Em meio à dor de um mercado em baixa, selecionar tokens que combinem rendimentos estáveis, ecossistema real e reconhecimento de mercado torna‑se essencial. Utilizamos dados de múltiplas plataformas e um modelo rigoroso para filtrar ruídos, concentrando‑nos em poucos ativos centrais que oferecem dividendos e receitas de protocolo. Este artigo apresenta um panorama completo desses projetos promissores, ajudando o leitor a encontrar oportunidades de valor nos momentos de queda. Continue a leitura.
Quais tokens observar em um mercado de baixa? Conclusões principais primeiro
No atual ciclo de baixa das criptomoedas, a quantidade de ativos que realmente atendem aos três critérios “gerar rendimentos para os detentores, possuir receita de protocolo e contar com narrativa e reconhecimento de mercado fortes” é muito limitada. A partir de uma triagem de 17 148 tokens, chegamos a 12 categorias, 132 projetos investíveis, dos quais 45 distribuem dividendos aos detentores (excluindo aqueles com rendimentos extremamente baixos), totalizando um fluxo de caixa anual de aproximadamente US$ 18 bilhões (≈ R$ 99 bilhões). Vale notar que esses 45 tokens concentram quase todo o retorno: Hyperliquid e Pump.fun monopolizam cerca de 69 % do total de rendimentos distribuídos aos detentores.

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Fontes de dados e método de seleção
Esta análise se baseia principalmente em DefiLlama, CoinMarketCap e nas métricas de engajamento de plataformas como Dexu, Moni e Lunarcrush. Para reduzir vieses pessoais, utilizei o Claude Code para a maior parte do processamento de dados; embora a fase de depuração tenha consumido cerca de dez vezes o tempo de escrita, ainda podem existir pequenos erros. As tabelas são apenas referência; o link completo está ao final do documento.

Durante a triagem, inicialmente pretendi excluir tokens “clássicos” como XRP, ADA, BCH, mas a história de múltiplos ciclos de alta/baixa e a liquidez robusta demonstraram que eles ainda possuem capacidade de sobrevivência, razão pela qual permanecem na lista final.

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1️⃣ Tokens de compartilhamento de receita — os mais relevantes
A opinião dominante no mercado atualmente é que “projetos sem receita dificilmente sobrevivem”. Mesmo a ETH está cada vez mais atrelada à narrativa de “valor medido pela receita”. Assim, tokens que devolvem lucro aos detentores por meio de recompra, queima ou divisão de taxas são os preferidos. Ampliamos o critério para incluir rendimentos de detentores em 30 dias ≥ US$ 50 mil (segundo DefiLlama), resultando em 45 tokens que geram cerca de US$ 1,53 bilhão por mês (≈ R$ 8,4 bilhões), ou US$ 18 bilhões ao ano (≈ R$ 99 bilhões).
Top 10 em divisão de receita

Nota: a divisão de receita aqui não equivale ao “rendimento de detentores” exibido no DefiLlama. Por exemplo, EtherFi não aparece na lista de rendimentos de detentores, mas devolve valor aos usuários via recompra.
É importante observar que, caso os cripto‑ativos evoluam ainda mais para a lógica “token = ação”, o P/S (price‑to‑sales) se tornará um indicador-chave de valor. Dois projetos apresentam P/S abaixo de 4, o que os torna extremamente baratos sob a ótica financeira tradicional; ao ritmo atual de receitas, levariam cerca de 3 anos para recuperar todo o valor de mercado:
- Pump.fun: P/S ≈ 1,4
- Aerodrome: P/S ≈ 3,4
Em contraste, Uniswap (P/S ≈ 121) e Aave (P/S ≈ 341) são avaliados com múltiplos muito superiores devido ao “premium” atribuído ao seu potencial futuro.
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2️⃣ Projetos com receita de protocolo, mas ainda sem dividendos
Esta categoria reúne 16 tokens cujas receitas mensais de protocolo ultrapassam US$ 100 mil (≈ R$ 550 mil) e permanecem integralmente retidas nos cofres dos protocolos. Exemplos representativos:
- Lido: receita mensal de aproximadamente US$ 4,3 milhões (≈ R$ 23,7 milhões), TVL de US$ 32 bilhões (≈ R$ 176 bilhões) – já discutiu distribuição de dividendos.
- CoW Protocol: cerca de US$ 3 milhões por mês (≈ R$ 16,5 milhões).
- Meteora (Solana): cerca de US$ 2 milhões mensais (≈ R$ 11 milhões).
- Virtuals Protocol: cerca de US$ 1,4 milhões mensais (≈ R$ 7,7 milhões).
- Drift: cerca de US$ 868 mil mensais (≈ R$ 4,8 milhões).

Comparando Lido e ether.fi: Lido tem TVL dez vezes maior e receita três vezes maior, porém não distribui nenhum ganho aos detentores de LDO; ether.fi, por sua vez, devolve cerca de US$ 1,5 milhão por mês (≈ R$ 8,25 milhões) via recompra. Em um cenário de baixa, a proteção de valor tende a favorecer o segundo.

A lógica comum a esses protocolos é a expectativa de ativar um “interruptor de dividendos” no futuro. Lido já sinalizou essa possibilidade; Jito gera cerca de US$ 5,3 milhões em taxas mensais, mas apenas US$ 544 mil (≈ R$ 3 milhões) são destinados ao cofre. A diferença entre taxas arrecadadas e recompensas aos detentores representa tanto oportunidade quanto risco.
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3️⃣ Visão geral de outros segmentos
Tokens de exchanges (7 tokens, capitalização total ≈ US$ 99 bilhões –≈ R$ 545 bilhões, incluindo BNB)
Tanto em alta quanto em baixa, tokens de exchanges costumam ter fontes de receita relativamente estáveis. Mesmo com queda no volume de negociações, a receita não chega a zero. BNB tem capitalização de cerca de US$ 85 bilhões (≈ R$ 467 bilhões); LEO e OKB sofreram quedas moderadas nos ciclos de 2022‑2024. A maioria possui programas de recompra e alta taxa de circulação, reduzindo ainda mais o risco de desvalorização.

L1 (19 tokens, capitalização total ≈ US$ 1,8 trilhão –≈ R$ 9,9 trilhão)
- BTC: cerca de US$ 1,36 trilhão (≈ R$ 7,48 trilhão)
- ETH: cerca de US$ 245 bilhões (≈ R$ 1,35 trilhão)

Relaxei os critérios para XRP, ADA, Cosmos, pois já passaram por vários ciclos e mantêm comunidades fiéis e liquidez suficiente. Mesmo que alguns ainda tenham reservas sobre TRX, ele gera aproximadamente US$ 26 milhões em taxas mensais (≈ R$ 143 milhões), superando Solana e Ethereum em volume de fees.
IA e computação (8 tokens, capitalização total ≈ US$ 5,1 bilhões –≈ R$ 28 bilhões)
A maioria ainda não possui receitas reais; a exceção é Venice (VVV), que sustenta recompra e queima por meio de assinaturas e cobranças de API, já tendo destruído 43 % do suprimento total.

- Bittensor: capitalização de US$ 1,9 bilhões (≈ R$ 10,5 bilhões), 128 sub‑redes, ainda sem receita de protocolo.
- Render, Akash: oferecem aluguel de poder de GPU a custos inferiores aos provedores centralizados.
- Grass: fornece rede de dados descentralizada para treinamento de IA.
Observação: alguns tokens de IA que não entraram na lista apresentaram alta valorização recente, adequados para operações de curto prazo, mas cabe ao leitor avaliar se são “investíveis”.
Tokenização de ativos reais (RWA) (7 tokens, capitalização total ≈ US$ 13,5 bilhões –≈ R$ 74,25 bilhões)
O setor ainda cresce de forma discreta; o verdadeiro ciclo de alta ainda não chegou. Canton Network já tokenizou 88,57 % dos ativos RWA on‑chain, representando cerca de US$ 372 bilhões (≈ R$ 2,05 trilhão), embora a complexidade dos ativos reais seja alta.

Chainlink, como oráculo central de RWA, distribui recompensas de staking de LINK a partir de inflação e pools fixas; os rendimentos vão principalmente para operadores de nós e para o cofre, não diretamente aos detentores.

Tokens de privacidade (2 tokens, capitalização total ≈ US$ 9,7 bilhões –≈ R$ 53,35 bilhões)
A regulação mais rígida eleva o risco desse segmento, embora a demanda permaneça relativamente estável. Principais projetos:
- Monero (XMR): cerca de US$ 6,2 bilhões (≈ R$ 34,1 bilhões)
- Zcash (ZEC): cerca de US$ 3,6 bilhões (≈ R$ 19,8 bilhões)

Meme coins (6 tokens, capitalização total ≈ US$ 20,8 bilhões –≈ R$ 114,4 bilhões)
Embora ainda haja debate sobre sua “investibilidade”, a natureza comunitária desses ativos pode gerar desempenho superior em rebotes de mercado quando comparado a tokens de alto rendimento. Principais membros:
- DOGE: capitalização de cerca de US$ 15,2 bilhões (≈ R$ 83,6 bilhões), com mais de dez anos de existência.
- SHIB, PEPE, BONK, FLOKI, WIF também figuram na lista.

Por não possuírem um teto de receita definido, esses tokens não apresentam um “custo de avaliação” fixo; sua alta taxa de circulação reduz a pressão de venda.
Outras subdivisões
- L2 (7 tokens, capitalização total ≈ US$ 3,7 bilhões –≈ R$ 20,35 bilhões)
- DePIN (5 tokens, capitalização total ≈ US$ 500 milhões –≈ R$ 2,75 bilhões)
- Oráculos / Infraestrutura (7
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