
Valor total de mercado dos projetos DePIN no mercado cripto | Fonte: CoinGecko
Até setembro de 2025, a CoinGecko acompanha cerca de 250 projetos DePIN, com valor total de mercado ultrapassando 190 bilhões USD (≈ R$1 045 bilhões). No ano anterior, esse número era de 52 bilhões USD (≈ R$286 bilhões). A demanda por poder de computação, largura de banda e dados de borda, impulsionada por IA e Internet das Coisas (IoT), continua crescendo, e o DePIN está se tornando rapidamente uma alternativa prática, econômica e orientada pela comunidade aos sistemas tradicionais.
Neste artigo, exploraremos como o DePIN funciona, por que ele se tornou um ponto quente em 2025 e apresentaremos os dez principais projetos DePIN.
Neste texto, organizamos sistematicamente os conceitos centrais e o funcionamento do DePIN, analisamos suas vantagens únicas na economia descentralizada e selecionamos os projetos com maior potencial. Por meio de casos e desmontagem técnica, ajudamos o leitor a captar rapidamente o valor e a trajetória desse movimento emergente – leitura recomendada para quem deseja entender a tendência a fundo.
O que é DePIN (Rede Física de Infraestrutura Descentralizada)?
DePIN (Decentralized Physical Infrastructure Networks) é um sistema blockchain que utiliza recompensas em tokens para coordenar a implantação de infraestrutura no mundo real. Qualquer pessoa pode contribuir com hardware, sensores, nós de energia ou capacidade computacional, criando infraestruturas críticas sem a necessidade de entidades centralizadas. O núcleo do modelo está nos smart contracts, na validação on‑chain e nas incentivações tokenizadas, que permitem um sistema mais democrático, resiliente e de baixo custo comparado ao modelo tradicional.
Os projetos DePIN se dividem em duas categorias principais:
1. Redes de Recursos Físicos (PRNs)
Incentivam indivíduos a implantar hardware ligado a localização geográfica, oferecendo serviços concretos no mundo real, incluindo:
- Redes sem fio: 5G, Wi‑Fi, conectividade IoT
- Redes de mobilidade: caronas compartilhadas, coleta de dados, robótica
- Redes de energia: micro‑grids descentralizadas, comércio de energia
- Redes de sensores: monitoramento ambiental, coleta de dados geoespaciais
2. Redes de Recursos Digitais (DRNs)
Incentivam a oferta de recursos digitais substituíveis, como armazenamento, largura de banda ou poder de computação, abrangendo:
- Redes de computação: transcodificação, indexação, processamento distribuído
- Redes de IA: modelos de aprendizado de máquina, mercado de GPUs
- Redes de armazenamento: bancos de dados, preservação de documentos
- Redes de largura de banda: CDN, VPN, comunicação em tempo real
A inovação do DePIN reside na tokenização da coordenação de infraestrutura, permitindo participação aberta, escalabilidade bottom‑up e integração fluida com outros serviços Web3.
Como o DePIN funciona?
O DePIN permite que pessoas comuns contribuam com infraestrutura e recebam recompensas, rompendo o monopólio das empresas centralizadas. O fluxo operacional é o seguinte:
1. Implantação de hardware
Os participantes instalam ou conectam dispositivos físicos (por exemplo, hotspots Wi‑Fi, sensores meteorológicos, GPUs, roteadores). Esses dispositivos formam a espinha dorsal física da rede, sustentando serviços descentralizados de conectividade, IA, etc.
2. Prova de recurso (Proof of Resource)
Mecanismos de validação on‑chain (como Proof of Coverage, Proof of Uptime, Proof of Compute) garantem que o recurso seja real, ativo e funcional, evitando fraudes e distribuindo recompensas de forma justa.
3. Incentivos em token (Token Incentives)
Os contribuidores recebem o token nativo proporcionalmente ao tempo de uso, demanda geográfica ou outros indicadores de desempenho; quanto maior o valor do recurso, maior a recompensa.
Esse modelo favorece expansão rápida da rede, reduz custos de infraestrutura e permite que a comunidade cubra áreas sub‑atendidas.

Por que o DePIN se tornou uma tendência quente em 2025?
O boom do DePIN em 2025 tem quatro impulsionadores principais:
1. Valor de mercado supera 192 bilhões USD (≈ R$1 056 bilhões), crescimento anual de ~270 %
Dados da CoinGecko mostram que a capitalização total das tokens DePIN subiu de 52 bilhões USD (≈ R$286 bilhões) no ano passado para cerca de 192 bilhões USD (≈ R$1 056 bilhões) atualmente, representando um crescimento anual próximo a 270 %. As tokens DePIN já correspondem a cerca de 0,5 % da capitalização total do mercado cripto, sinalizando a transição de experimento nicho para classe de ativo mainstream.

2. Mais de 423 projetos sustentam 41,8 milhões de dispositivos físicos
O DePINscan contabiliza 423 projetos ativos, com mais de 41,8 milhões de dispositivos em operação globalmente – um salto em relação às cerca de 10 milhões em 2023. Esse crescimento explosivo de hardware demonstra que o DePIN está passando da teoria para a prática, abrangendo computação, conectividade, energia, mobilidade, mapeamento e monitoramento ambiental.

3. Financiamento acumulado de US$ 744 milhões (≈ R$ 4,09 bilhões), impulsionado por VC e comunidade
Um relatório da The Block Pro Research indica que, de janeiro 2024 a julho 2025, mais de US$ 744 milhões (≈ R$ 4,09 bilhões) foram investidos em 165 startups DePIN, além de 89 rodadas não divulgadas. Projetos como Bittensor, Render e Filecoin alcançaram avaliações de vários bilhões de dólares. O número de usuários da Grass Network cresceu de 200 mil para 3 milhões em um ano, evidenciando a sinergia entre capital de risco e adoção comunitária.

4. Solana, Ethereum L2 e Filecoin são as cadeias base preferidas
A Grayscale Research aponta que Solana, com suas baixas taxas e alta capacidade de processamento, se tornou a cadeia dominante para a maioria dos projetos DePIN (ex.: Helium, Grass, Hivemapper). Ethereum L2 (Arbitrum, Optimism) tem sido a escolha para projetos de computação e IA, enquanto Filecoin continua liderando o armazenamento descentralizado. Essa estratégia multichain demonstra que o DePIN está se consolidando como camada de infraestrutura transversal entre ecossistemas.

Os 10 projetos DePIN mais promissores em 2025
A seguir, os projetos que se destacam no segmento de infraestrutura física e que merecem atenção contínua.
1. Bittensor (TAO)
Bittensor constrói uma rede descentralizada de aprendizado de máquina, incentivando contribuições de poder de computação, modelos e dados por meio de um mercado de sub‑redes (subnet). Os participantes recebem recompensas em TAO de acordo com o valor mensurável entregue. Em setembro 2025, a capitalização supera US$ 3,39 bilhões (≈ R$ 18,6 bilhões), com cerca de 9,6 milhões de tokens circulantes (supply total de 21 milhões) e mais de 50 sub‑redes ativas e 141 mil contas.
2. Internet Computer (ICP)
Lançado pela DFINITY Foundation, o ICP visa hospedar software, dados e processos de aplicativos diretamente na cadeia, criando o que chamam de “computador mundial”. Em setembro 2025, a capitalização ronda US$ 2,65 bilhões (≈ R$ 14,6 bilhões), com 537 milhões de tokens em circulação. A rede processa mais de 60 bilhões de blocos por segundo e já disponibiliza a ferramenta de IA automática Caffeine e integração cross‑chain com Solana.
3. Render Network (RENDER)
Render oferece a primeira plataforma descentralizada de renderização GPU, agregando GPUs ociosas em um pool de alto desempenho para atender a demandas de 3D, IA generativa e conteúdo metaverso. Valor de mercado cerca de US$ 2,03 bilhões (≈ R$ 11,2 bilhões), com 518 milhões de tokens circulantes. Uma única rede pode rodar paralelamente entre 300 e 1 000 modelos de IA. Em julho 2025, a marca mudou para RENDER e descontinuou a versão antiga na Polygon.
4. Filecoin (FIL)
Baseado no IPFS, Filecoin cria um mercado de armazenamento descentralizado, suportando IA, pesquisa científica e aplicações Web3 com capacidade de petabytes. Capitalização aproximada de US$ 1,74 bilhões (≈ R$ 9,6 bilhões) e 687 milhões de tokens em circulação. Em abril 2025, lançou o Fast Finality (F3), acelerando a finalização em 100×; em maio, introduziu o Proof of Data Possession (PDP), melhorando a eficiência de armazenamento quente. Utilização da rede está em torno de 31 %.
5. BitTorrent (BTT)
BTT, token TRC‑20 na blockchain TRON, incentiva a maior rede de compartilhamento de arquivos descentralizada do planeta. Capitalização cerca de US$ 634 milhões (≈ R$ 3,5 bilhões), com 986 trilhões de tokens em circulação. Por meio do BitTorrent Speed e do BTFS, largura de banda e armazenamento são tokenizados, permitindo downloads mais rápidos e distribuição de conteúdo mais confiável.
6. Aethir (ATH)
Aethir fornece serviços de GPU cloud descentralizados, contando com 430 mil GPUs avaliadas em mais de US$ 400 milhões (≈ R$ 2,2 bilhões), presentes em 94 países. Seus produtos Aethir Earth e Aethir Atmosphere oferecem poder computacional sob demanda para treinamento de IA e jogos em nuvem de baixa latência. Capitalização aproximada de US$ 560 milhões (≈ R$ 3,1 bilhões), com 11,4 bilhões de tokens circulantes e um fundo ecológico de US$ 100 milhões (≈ R$ 550 milhões) para apoiar desenvolvedores.
7. Helium (HNT)
Helium cria uma rede wireless descentralizada; usuários implantam dispositivos Hotspot que fornecem conectividade a smartphones e IoT em troca de HNT. Capitalização cerca de US$ 496 milhões (≈ R$ 2,73 bilhões), com 186 milhões de tokens circulantes. Mais de 379 mil hotspots ativos ao redor do globo atendem a casos como agricultura inteligente e rastreamento logístico. Recentemente, anunciou um fundo de US$ 50 milhões (≈ R$ 275 milhões) para ampliar a cobertura e firmou parceria com a Movistar México para promover o Helium Mobile.
8. Grass Network (GRASS)
Grass permite que usuários compartilhem largura de banda ociosa com IA ou instituições de pesquisa, recebendo Grass Points que podem ser convertidos em GRASS. Em 2025, a base de usuários ultrapassou 3 milhões, tornando‑se um dos projetos DePIN com crescimento mais rápido na Solana. Até o momento, já foram distribuídos centenas de milhões de dólares em recompensas para treinamento de IA.
9. JasmyCoin (JASMY)
Jasmy tem como objetivo devolver ao indivíduo o controle sobre seus dados de IoT, oferecendo os serviços Secure Knowledge Communicator (SKC) e Smart Guardian, que transformam dados em ativos. Capitalização aproximada de US$ 702 milhões (≈ R$ 3,86 bilhões), com cerca de 48,4 bilhões de tokens circulantes (supply total de 500 bilhões). A empresa está ativa no Japão, colaborando com setores esportivo, créditos de carbono e outros.
10. Akash Network (AKT)
Akash cria um mercado descentralizado de computação em nuvem, conectando empresas a GPUs ociosas ao redor do mundo, oferecendo custos até 80 % menores que os provedores tradicionais. Capitalização em torno de **US
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