
Strategy se autodenomina a primeira e maior empresa de cofres de Bitcoin do mundo. A companhia (anteriormente chamada MicroStrategy) detinha, até o início de dezembro de 2025, cerca de 650 000 bitcoins, o que corresponde a aproximadamente 3 % de todo o suprimento emitido. Isso a torna, até o momento, a maior detentora de Bitcoin listada em bolsa.
Neste artigo analisamos a lógica por trás da alocação de Bitcoin da Strategy, explicamos o mecanismo de captação de recursos e a relação entre capitalização de mercado e valor líquido dos ativos (mNAV). Também apontamos quais sinais de mercado ou internos poderiam acionar uma decisão de venda. Com essas perspectivas, o leitor pode entender melhor os possíveis rumos futuros da empresa e avaliá‑los à luz das últimas notícias do setor.
Principais pontos
- Aproximadamente 650 000 bitcoins constam no balanço, o maior volume entre todas as empresas listadas.
- O modelo da empresa depende da captação de recursos no mercado aberto, que são convertidos em Bitcoin, enquanto se procura manter a relação entre capitalização de mercado e o valor líquido dos bitcoins (mNAV) acima de 1.
- O CEO Phong Le descreve qualquer venda de Bitcoin como “último recurso”, considerada apenas quando o mNAV ficar abaixo de 1 e a capacidade de obter novo capital estiver severamente limitada.
- Mesmo que ocorra alguma venda parcial, dado o volume diário de negociação de Bitcoin (dezenas de bilhões de dólares), a liquidação da Strategy seria provavelmente direcionada e não representaria uma saída total.

Para investidores tradicionais, as ações da Strategy costumam ser vistas como uma exposição alavancada ao Bitcoin. Em vez de comprar o ativo digital diretamente, o investidor adquire ações da empresa, que por sua vez financia a compra de Bitcoin, proporcionando uma forma indireta de possuir o cripto.
Recentemente, o CEO Phong Le esclareceu que a empresa só utilizaria suas reservas de Bitcoin em situações extremas. Embora a mídia frequentemente destaque a palavra “venda”, a companhia enfatiza que isso seria apenas um mecanismo de mitigação de risco, não uma mudança fundamental na estratégia de longo prazo.
Este texto tem como objetivo desmontar o funcionamento do modelo de Bitcoin da Strategy e apontar os fatores que podem desencadear uma venda, ajudando o leitor a interpretar os próximos desenvolvimentos de forma racional, sem ser influenciado por pânico ou hype. As informações aqui contidas são apenas para referência e não constituem recomendação de investimento.
Você sabia? Estimativas recentes indicam que instituições já detêm quase 20 % de todos os bitcoins já minerados.
Como o “motor” de Bitcoin (BTC) da Strategy funciona
Do ponto de vista operacional, a Strategy adota um ciclo financeiro relativamente simples:
- Captação de recursos por meio de planos de compra de ações “follow‑the‑price”, de diversas séries de ações preferenciais perpétuas (por exemplo, STRK, STRF) e de dívidas conversíveis pontuais.
- Alocação da maior parte do capital levantado para a compra de Bitcoin, que passa a integrar o ativo‑principal do cofre.
- Monitoramento de indicadores chave para avaliar a sustentabilidade do modelo e confirmar a criação de valor para os acionistas.
Dentre esses indicadores, dois são particularmente relevantes para a discussão deste artigo:
- Bitcoin por ação (BPS): quantidade de Bitcoin atribuída a cada ação em base totalmente diluída. A Strategy usa este número como métrica de desempenho e o divulga periodicamente.
- Relação entre capitalização de mercado e valor líquido dos ativos (nNAV): razão entre o valor total de mercado da empresa e o valor de mercado dos bitcoins que possui. Enquanto o mNAV permanecer acima de 1, as ações negociam com prêmio, indicando que o mercado valoriza o ativo de Bitcoin acima do seu preço à vista.
Quando as ações negociam com um prêmio saudável, a Strategy pode emitir novas ações ou ações preferenciais com diluição relativamente baixa, ampliando ainda mais seu estoque de Bitcoin e elevando o BPS. Esse ciclo de “financiamento com prêmio → compra de Bitcoin → aumento do BPS” é a espinha dorsal da estratégia atual da administração.

“Última opção” – mecanismo de gatilho para venda
Le afirmou em entrevistas recentes que a empresa só considerará vender Bitcoin se ambas as condições rígidas abaixo forem atendidas simultaneamente:
- mNAV abaixo de 1 – ou seja, a capitalização de mercado da empresa cair para um nível igual ou inferior ao valor contábil dos seus bitcoins.
- Esgotamento da captação de novos recursos – o mercado deixa de comprar ações ordinárias ou preferenciais em condições razoáveis, bloqueando as vias de financiamento.
Ele classifica essas vendas como “última opção”, destinadas a cobrir obrigações como dividendos de ações preferenciais, e não como parte de um plano rotineiro de alienação de ativos. Em termos simples: se o preço das ações ficar equiparado ou inferior ao valor de mercado do Bitcoin e a empresa não conseguir se autofinanciar via novas emissões, a venda parcial de Bitcoin torna‑se a solução menos prejudicial para preservar a estrutura de capital.

Fatores reais que podem levar a Strategy ao ponto de venda
Antes que o “último recurso” seja acionado, múltiplas pressões precisam convergir:
Contexto macro e preço do Bitcoin
O Bitcoin recuou de um pico histórico próximo a US$ 126 000 (≈ R$ 693 000) em outubro para a faixa dos US$ 80 000 (≈ R$ 440 000) em meados de novembro, uma queda de cerca de 30 %. Um recuo ainda mais profundo ou prolongado reduziria diretamente o valor contábil das reservas da Strategy, pressionando simultaneamente o preço de suas ações.
Desempenho das ações e mNAV
Desde que o preço das ações sofreu uma queda de 30 %‑60 % em relação aos seus máximos iniciais, o mNAV tem se estreitado consideravelmente. Em meados de novembro, o preço negociado chegou a se aproximar ou até cair abaixo do valor à vista do Bitcoin, indicando que o mNAV estava próximo de 1.
Ambiente de financiamento
A Strategy depende de plataformas de emissão pré‑registradas e de planos “follow‑the‑price” (ATM) para lançar ações ordinárias e preferenciais perpétuas. Caso esses lançamentos desacelerem significativamente ou os investidores exijam rendimentos mais altos, a disponibilidade de capital pode se tornar restrita.
Obrigações internas
A empresa tem que pagar dividendos substanciais sobre as ações preferenciais e juros sobre dívidas. Analistas estimam que o compromisso com dividendos de ações preferenciais pode chegar a centenas de milhões de dólares por ano (≈ R$ bilhões). Se o financiamento for dificultado, esses custos fixos aumentariam ainda mais a pressão de caixa.
A administração ainda mantém o posicionamento de longo prazo de manter Bitcoin; os cenários acima descrevem apenas situações de risco extremo.
Você sabia? Análises on‑chain indicam que 3 – 4 milhões de bitcoins podem estar irremediavelmente perdidos em carteiras “mortas”, o que significa que uma parcela significativa da oferta nunca retornará ao mercado.
Impacto real de uma venda no mercado de Bitcoin
Com cerca de 650 000 bitcoins em carteira, qualquer sinal de que a Strategy possa passar de “nunca vender” para “vender sob pressão” naturalmente atrai atenção do mercado. Contudo, alguns pontos são essenciais:
- Escala do mercado – O volume diário de negociação à vista e de derivativos de Bitcoin frequentemente ultrapassa dezenas de bilhões de dólares. Os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA podem registrar entradas/saídas diárias de até US$ 1 bilhão (≈ R$ 5,5 bilhões). Mesmo que a Strategy vendesse apenas uma fração pequena, o impacto seria diluído pela profunda liquidez.
- Tamanho e ritmo da venda – Le deixou claro que, se houver venda, será direcionada e parcial, destinada a cumprir obrigações de dívida ou dividendos, e não uma liquidação total.
- Precificação antecipada – O mercado costuma precificar riscos potenciais antes mesmo de informações oficiais serem divulgadas. As recentes quedas paralelas do preço do Bitcoin e das ações da Strategy, bem como o debate em torno do mNAV, são exemplos de precificação antecipada.
Portanto, a chamada “última opção” não equivale a um plano de venda massiva de Bitcoin.
Você sabia? No terceiro trimestre de 2025, o volume médio diário de negociação spot de cripto foi de aproximadamente US$ 1 550 bilhões (≈ R$ 8,525 trilhões), com cerca de US$ 140 bilhões (≈ R$ 770 bilhões) em contratos de derivativos de cripto negociados diariamente na CME.
Guia prático para acompanhar a Strategy
Para acompanhar a evolução da Strategy sem se deixar levar por ruídos ou click‑baits, foque nas seguintes fontes e indicadores:
- Documentos regulatórios – Relatórios 8‑K da SEC (Securities and Exchange Commission) e prospectos complementares revelam rapidamente novas captações de capital e alterações nas posições de Bitcoin.
- Comunicados oficiais – Comunicados de imprensa da Strategy e a página dedicada a “compras de Bitcoin” consolidam as aquisições recentes e o saldo acumulado.
- Sentimento nas redes sociais – Embora memes (como “green dot”, “laser eyes” ou teorias apocalípticas) reflitam o humor do mercado, qualquer rumor sobre venda forçada ou insolvência deve ser cruzado com documentos oficiais antes de ser considerado.
Aviso: Cada pessoa possui situação financeira, horizonte de investimento e tolerância ao risco diferentes. Este texto fornece apenas informações gerais e não deve ser interpretado como recomendação de compra, venda ou manutenção de qualquer ativo. Caso necessário, procure orientação de um profissional financeiro qualificado, que leve em conta seu perfil e necessidades.
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Localização para o público brasileiro
- Pagamentos: PIX (instantâneo 24 h), TED, em reais (BRL).
- KYC: CPF + RG ou CNH.
Observação fiscal: Ganhos acima de R$ 35 000 por mês são tributáveis no Brasil, com alíquotas variando de 15 % a 22,5 %. É importante declarar esses rendimentos à Receita Federal.
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Esta é a análise resumida do plano de Bitcoin (BTC) da Strategy e os principais fatores que podem influenciar futuras vendas. Para mais conteúdos sobre estratégias de retenção de Bitcoin e momentos de decisão, siga o Bitaigen (比特根) e acompanhe nossos artigos!
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