Neste artigo, organizamos a evolução dos protocolos de rede tradicionais e analisamos o papel potencial da tecnologia blockchain na arquitetura de base. Ao comparar os mecanismos centrais do TCP/IP e do HTTP, revelamos como o blockchain pode oferecer uma camada de confiança descentralizada, podendo se tornar o protocolo fundamental da próxima geração da internet. Esperamos que os leitores, a partir dos princípios técnicos, reflitam sobre a forma e as oportunidades da rede do futuro.
Em redes, um protocolo refere‑se às regras que o hardware e o sistema operacional devem obedecer para comunicar‑se; essas regras são chamadas de *protocolos* (protocol).
O conjunto de protocolos usado para comunicação na internet é a família TCP/IP. Geralmente considera‑se que essa família contém quatro camadas: camada de aplicação, camada de transporte, camada de rede e camada de enlace. A camada de enlace coloca os dados nos cabos; a camada de rede roteia os dados; a camada de transporte garante a entrega confiável; e a camada de aplicação fornece abstrações de dados na forma de aplicações, como ilustra a Figura 1.

Figura 1: Camadas de protocolo de comunicação de rede e protocolo WWW
A família TCP/IP inclui diversos protocolos: o básico TCP e IP, o protocolo de e‑mail SMTP, o protocolo de transferência de hipertexto HTTP/HTTPS, e o sistema de nomes de domínio DNS, entre outros.
Em 1989, Tim Berners‑Lee propôs o protocolo WWW (World Wide Web) para facilitar o compartilhamento de informações e conhecimento no meio acadêmico. Normalmente, o protocolo WWW compreende três componentes: HTML (Linguagem de Marcação de Hipertexto), HTTP (Protocolo de Transferência de Hipertexto) e URL (Localizador Uniforme de Recursos).
Para simplificar a discussão, agrupamos os protocolos relacionados a aplicações de informação sob o nome protocolos WWW. Como mostra a Figura 1, ao falar de transmissão de informação, costuma‑se referir‑se ao HTTP, que está situado na camada de aplicação dos protocolos de comunicação. É importante notar que “camada de aplicação” aqui não equivale ao que chamamos cotidianamente de “sites, apps ou outras aplicações da internet”.
Podemos dividir a internet em três níveis: a rede de hardware, os protocolos da World Wide Web e as aplicações (sites e apps). O surgimento do blockchain introduziu, ao lado da rede de hardware e dos protocolos WWW, um novo conjunto de protocolos voltados à representação de valor e à transferência de valor — a camada de confiança do blockchain. Embora ainda esteja em desenvolvimento e seus protocolos continuem evoluindo, já podemos comparar seu papel ao dos protocolos WWW.
Observando o modelo de quatro camadas da comunicação de rede (aplicação, transporte, rede, enlace), há outra perspectiva: o blockchain pode se desvincular da camada de aplicação existente, formando uma camada de valor independente (veja a Figura 2). No curto prazo, ainda há divergências sobre como dividir as camadas dos protocolos de comunicação. Para facilitar a compreensão, apresentamos o diagrama das Figuras 1‑2, que abstrai, acima das quatro camadas, uma “camada de valor”.

Figura 2: Quinta camada de comunicação de rede “camada de valor” — representação e transferência de valor
Na transmissão tradicional de informação, as quatro camadas trabalham bem em conjunto. Contudo, no mundo digital, para representar e transferir valor, a camada de protocolos básica não oferece suporte adequado; costuma‑se precisar desenvolver funcionalidades extras em sites ou apps e confiar em terceiros centralizados para gerenciar os registros e viabilizar o fluxo de valor.
O Bitcoin e outras plataformas blockchain demonstram que o blockchain pode oferecer simultaneamente representação de valor e transferência de valor. Com o blockchain, os usuários conseguem realizar transações ponto‑a‑ponto sem depender de terceiros confiáveis. Assim, pode‑se dizer que o blockchain extrai da camada de aplicação as funções relacionadas ao valor, criando uma quinta camada de comunicação — a camada de valor.
Há também quem argumente que o blockchain introduz à internet uma função de confiança, atuando como o antigo terceiro confiável; essa camada, separada da aplicação, pode ser chamada de “camada de confiança”.
Nossa proposta de “protocolo de camada de confiança do blockchain” busca ilustrar como o blockchain traz mudanças profundas à internet, semelhantes àquelas provocadas pelos protocolos WWW. Agora, ao analisar as camadas de comunicação, introduzimos o conceito de “camada de valor”, pois esta seria a primeira vez que a internet lida diretamente, na camada de protocolo, com a representação e transferência de valor. Essas ideias são exploratórias e servem de ponto de partida para discussões futuras.
A seguir, apresentamos uma explicação detalhada de por que “o blockchain pode se tornar o protocolo fundamental da internet, assim como TCP/IP e HTTP”. Para mais informações sobre protocolos de base da internet baseados em blockchain, acompanhe as reportagens da Bitaigen (Bitagén).
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