Pontos‑Chave
- O avanço do ETF de Solana indica que os reguladores estão aumentando o reconhecimento dos chamados “altcoins”, abrindo caminho para aprovações semelhantes para outras moedas de destaque.
- XRP, que já possui certeza jurídica, alta liquidez e participação institucional, é visto como o principal candidato ao próximo ETF de altcoin.
- Embora ainda precise ampliar sua base de usuários e ecossistema, Cardano, sustentado por governança descentralizada e rigor acadêmico, atrai investidores focados em valor de longo prazo.
- Avalanche, com design orientado a empresas e um ecossistema DApp ativo, possui potencial relevante em estruturas de ETF multimoeda.
- Caso faltem contratos futuros sob regulação da CFTC, a revisão de ETFs de altcoins pode ser adiada; ETFs multimoeda podem servir como ponte para atender exigências regulatórias.

Acreditamos que a aprovação do ETF de Solana demonstra uma mudança de postura regulatória em relação aos altcoins e que, consequentemente, pedidos de ETFs para XRP, Cardano, Avalanche e outras moedas de destaque começam a emergir. Este artigo analisa os principais pontos de revisão da SEC e ajuda investidores a identificar oportunidades potenciais.
Pontos de Revisão da SEC para ETFs de Altcoins
Ao avaliar ETFs de cripto‑ativos, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) foca em:
- Volume de negociação suficiente em bolsas americanas reguladas;
- Capacidade de comprovar o grau de descentralização e segurança da rede;
- Clarificação da natureza jurídica do token (não classificado como security);
- Mecanismo de descoberta de preço cross‑platform e possibilidade de arbitragem.
Até o momento, esses altcoins ainda não negociam contratos futuros sob supervisão da CFTC, aspecto que foi crucial para a aprovação dos ETFs de Bitcoin e Ethereum e que hoje representa um obstáculo significativo. Caso o ETF de Solana seja aprovado, a SEC pode rever seus critérios, especialmente quando o produto envolve staking, recompensas on‑chain ou interações DeFi.

A Bloomberg Intelligence estima que a probabilidade de aprovação do ETF de Solana antes do final de 2025 ultrapasse 90 %. Se concretizado, emissores e reguladores provavelmente reavaliarão propostas de ETFs para XRP, ADA e AVAX.
Potencial dos ETFs Cripto Multimoeda
Enquanto os ETFs de ativos únicos ainda estão em fase de concepção, produtos indexados a múltiplas moedas já são debatidos. Instituições como Fidelity e Bitwise propuseram fundos que ponderam várias altcoins por capitalização de mercado ou contribuição ao ecossistema, reduzindo a volatilidade de um único ativo e atendendo às exigências de proteção ao investidor da SEC. Para moedas que ainda não cumprem os requisitos de um ETF independente, essa estrutura oferece uma via alternativa de conformidade, refletindo a crescente demanda por exposição “cesta” a cripto‑ativos.
Impacto Setorial do ETF de Solana
O ETF de Solana, emitido pela REX‑Osprey, já está listado, e o formulário S‑1 do ETF à vista de Solana foi requisitado pela SEC para alterações até 31 de julho, indicando que a janela regulatória está se ampliando. Solana ocupa atualmente a sexta posição em capitalização de mercado, com US$ 67 bilhões (≈ R$ 368,5 bilhões), volume diário de negociação em torno de US$ 2,5 bilhões (≈ R$ 13,75 bilhões), mais de 2.400 validadores ativos e throughput declarado de até 65 000 TPS. Esses números despertam forte interesse institucional e servem como modelo de referência para futuras revisões de ETFs de altcoins.

Possíveis Candidatos a ETFs de Altcoins que Podem Seguir
1. XRP (Ripple)
No debate sobre ETFs de altcoins, a situação jurídica do XRP é a mais clara. Em julho de 2023, um tribunal federal dos EUA decidiu que a negociação de XRP no mercado secundário não constitui transação de security. Embora a decisão não exima completamente a Ripple Labs de supervisão regulatória, elimina o maior obstáculo legal para produtos institucionais.
Até o segundo trimestre de 2025, o volume diário de XRP ultrapassou US$ 1,2 bilhão (≈ R$ 6,6 bilhões) e está listado em mais de 100 exchanges globais. Seu uso em pagamentos transfronteiriços também cresce: a RippleNet processa anualmente mais de US$ 15 bilhões (≈ R$ 82,5 bilhões) em remessas na Ásia, América Latina e outras regiões. Com clareza regulatória, alta liquidez e participação institucional, XRP surge como um dos altcoins mais viáveis para ETF, desde que a SEC ajuste sua postura geral após o caso Solana.

2. Cardano (ADA)
Cardano é reconhecido por seu modelo de desenvolvimento acadêmico, onde todas as atualizações são baseadas em artigos revisados por pares e verificação formal, conferindo-lhe atratividade para instituições que priorizam rigor técnico. Sua capitalização de mercado gira em torno de US$ 2,5 bilhões (≈ R$ 13,75 bilhões), posicionando‑se entre os 20 maiores ativos, e conta com mais de 3.200 pools de stake, evidenciando alto grau de descentralização.
Entretanto, a atividade on‑chain da Cardano ainda fica atrás de Solana e Ethereum. Em junho de 2025, o volume diário de negociação da ADA foi de cerca de US$ 2,6 bilhão (≈ R$ 14,3 bilhões), próximo ao da Solana; o valor total bloqueado em protocolos DeFi (TVL) ficou ligeiramente acima de US$ 400 milhões (≈ R$ 2,2 bilhões), indicando uso financeiro moderado.
Do ponto de vista de longo prazo, os mecanismos de governança da Cardano, a escalabilidade prometida pelo Hydra e a roadmap de interoperabilidade cross‑chain fornecem fundamentos teóricos para inclusão futura em ETFs, especialmente à medida que o ambiente regulatório amadurece.


3. Avalanche (AVAX)
Avalanche oferece uma arquitetura de sub‑redes modular, permitindo que empresas criem blockchains permissionadas e customizadas – um diferencial importante num cenário de crescente demanda por conformidade. Até julho de 2025, mais de 120 sub‑redes foram lançadas, e parcerias com AWS, JPMorgan Chase e outras instituições já geram pilotos de blockchain.
Em termos de métricas, o AVAX possui capitalização de mercado de aproximadamente US$ 8,8 bilhões (≈ R$ 48,4 bilhões), TVL em DeFi de US$ 1,6 bilhão (≈ R$ 8,8 bilhões), posicionando‑se entre os seis maiores do setor; o volume diário da cadeia C chega a cerca de US$ 600 milhões (≈ R$ 3,3 bilhões). Seu foco na tokenização de ativos reais, com projetos ao lado de Intain e JPM, aumenta o interesse institucional. Embora não tenha a clareza jurídica do XRP nem a popularidade de varejo da Solana, sua orientação empresarial confere vantagem competitiva em ETFs multimoeda ou produtos institucionais customizados.


Ranking de Viabilidade de ETFs (até meados de 2025)
| Rank | Altcoin | Principais Pontos Fortes | Principais Restrições |
|---|---|---|---|
| 1 | **XRP** | Alta clareza jurídica, forte liquidez, participação institucional consolidada | Necessita de mudança de postura da SEC em relação a altcoins |
| 2 | **AVAX** | Adoção empresarial ampla, arquitetura modular, presença relevante no DeFi | Falta de certeza jurídica equivalente ao XRP |
| 3 | **ADA** | Elevado grau de descentralização, rigor acadêmico, governança clara | Volume de negociação e atividade DeFi ainda limitados |
De modo geral, o XRP tem maior probabilidade de obter aprovação de ETF no curto prazo devido à sua vantagem regulatória e ecossistema maduro; Avalanche, com seu enfoque corporativo e design inovador, pode ser atrativo em ETFs temáticos ou multimoeda; Cardano demonstra excelência em governança e tecnologia, mas ainda precisa ampliar sua atividade de mercado e casos de uso financeiro para entrar nas prioridades regulatórias.
Considerações Finais
O sucesso do ETF de Solana não apenas fortalece a confiança em seu próprio ecossistema, mas também estabelece um precedente regulatório que demonstra a possibilidade de incluir altcoins em canais de investimento compatíveis. XRP, ADA e AVAX apresentam diferentes combinações de vantagens competitivas e desafios, e podem disputar a próxima rodada de aprovações, seja em produtos de moeda única ou em fundos multimoeda. Apesar de persistirem barreiras regulatórias e estruturais, o amadurecimento do mercado tende a ampliar as vias de investimento tanto para instituições quanto para investidores individuais.

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Observação sobre pagamentos e KYC: Caso você pretenda adquirir cotas de ETFs ou serviços relacionados, as opções de pagamento disponíveis no Brasil incluem PIX (instantâneo 24 h) e TED, sempre em reais (BRL). O processo de verificação de identidade (KYC) costuma exigir CPF e RG ou CNH.
Aviso fiscal: Ganhos obtidos com cripto‑ativos acima de R$ 35 000 por mês são tributáveis no Brasil, com alíquotas variando entre 15 % e 22,5 %; é obrigatório declarar esses rendimentos à Receita Federal.
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