Bitcoin sofreu uma queda acentuada recentemente e o mercado começou a discutir se está próximo do fundo da atual fase de baixa.
Com base em diversos indicadores on‑chain e técnicos, o Bitcoin já entrou em uma zona potencial de acumulação; o momento de compra pode estar se formando. Os investidores podem observar a faixa crítica de 45 mil a 60 mil dólares (R$247.500 a R$330.000), mas ainda é recomendável fazer entradas escalonadas.
Desde o pico de outubro do ano passado, o Bitcoin recuou quase metade, chegando a superar 126 mil dólares (R$693.000). Em seguida, o sentimento do mercado enfraqueceu e os preços dos criptoativos recuaram de forma geral. Brett Munster, da Blockforce Capital, apontou que quatro indicadores que acompanha mostram que o mercado está gradualmente entrando em uma possível “zona de acumulação”. Um deles já atingiu níveis historicamente baixos, e outros dois estão concentrados entre 54 mil e 58 mil dólares (R$297.000 a R$319.000). Embora o Bitcoin esteja atualmente por volta de 73,8 mil dólares (R$405.900), ainda acima dessas faixas, em fevereiro deste ano chegou brevemente a 60 mil dólares (R$330.000), indicando que já se aproximou da borda superior da zona de fundo.
Munster acredita que os investidores não precisam buscar um ponto de compra perfeito. Na última fase de baixa, quem entrou em 19 mil dólares (R$104.500) acabou vendo o fundo em 15,6 mil dólares (R$85.800); a diferença para quem manteve a posição a longo prazo não foi tão relevante. Por isso, recomenda escalonar as entradas em vez de esperar o ponto ideal.
“A maior parte da queda já pode estar concluída”, disse Munster, acrescentando que a relação risco/retorno está se tornando mais favorável aos touros e que uma potencial recuperação pode ocorrer em meados do ano. Na sexta‑feira, o Bitcoin subiu cerca de 5 %, alcançando aproximadamente 73,8 mil dólares (R$405.900).
Este artigo parte de dados on‑chain e análise técnica para mapear a zona de acumulação atual do Bitcoin e a relação risco‑retorno, ajudando os investidores a avaliar se há uma janela de compra. Analisaremos o histórico de vários indicadores, oferecendo um referencial para estratégias escalonadas e convidando você a discutir o possível ponto de inflexão futuro.
Vários indicadores próximos a áreas historicamente baixas
- MVRV Z‑Score: mede o preço do Bitcoin em relação ao custo on‑chain; valores abaixo de 0,4 costumam indicar subavaliação. Atualmente está em torno de 0,38, já dentro da zona de subavaliação.
- Preço Realizado (Realized Price): atualmente cerca de 54 mil dólares (R$297.000), representando o preço médio da última transferência on‑chain de todos os Bitcoins. Historicamente, durante baixas, esse nível costuma ser atingido ou até superado.
- Média Móvel de 200 semanas: ronda os 58 mil dólares (R$319.000), que costuma atuar como suporte nos fundos de ciclos anteriores.
Além disso, a amplitude das quedas máximas nas baixas tem convergido, sinalizando maior maturidade do ativo, maior liquidez e aumento do número de participantes. Somando esses pontos, Munster delimita a zona de alta probabilidade de acumulação entre 45 mil e 60 mil dólares (R$247.500 a R$330.000).
Entrada de recursos nos ETFs indica demanda em recuperação
Mesmo com a pressão vendedora diminuindo, para que o Bitcoin registre uma recuperação sustentada é necessário novo capital. Dados recentes mostram que os ETFs de Bitcoin à vista negociados nos EUA, após meses de saídas líquidas, começaram a absorver novos recursos. A Bloomberg registrou que, no último mês, esses fundos captaram mais de 1,6 bilhão de dólares (R$8,8 bilhões), incluindo produtos como IBIT da BlackRock (BLK‑US) e HODL da VanEck.
Munster alerta que, mesmo que o volume de novos recursos não seja enorme, a diminuição da pressão de venda pode gerar um impulso significativo nos preços. Contudo, o fundo não é uma ciência exata; embora os indicadores técnicos apontem para perto do vale, a baixa ainda pode se estender. A longo prazo, acumular gradualmente em momentos de pessimismo costuma gerar retornos para quem mantém a posição.
Cinco pontos essenciais ao considerar comprar Bitcoin na baixa
- O fundo é uma “zona”, não um “ponto”
O final de um ciclo de baixa costuma ser um processo prolongado de consolidação, não um retorno em V instantâneo. Esta fase pode durar 4‑6 meses de lateralização. Investir tudo de uma vez aumenta o risco.
- Acompanhe o cenário macro e os marcos críticos
O rumo do mercado está ligado à liquidez global; fique atento a políticas, taxas de juros e movimentações de grandes instituições que possam atuar como catalisadores de virada.
- Cuidado com falsas rupturas e risco de liquidação
O preço oscila perto de 70 mil dólares (R$385.000); a faixa de 73 mil‑74 mil dólares (R$401.500‑R$407.000) funciona como forte resistência. Se não houver rompimento sólido acima de 75 mil dólares (R$412.500), pode se formar um padrão de bandeira baixista. Uma queda abaixo de 67 590 dólares (R$371.745) dispararia cerca de 1 bilhão de dólares em liquidações longas, gerando pressão descendente em cadeia.
- Indicadores de sentimento são “contra‑sinais” e precisam de confirmação
O índice medo‑ganância está entre 5‑15, indicando medo extremo. Combine isso com outros sinais para melhorar a precisão:
- Conclusão da limpeza de alavancagem, com taxas de financiamento negativas persistentes;
- Preço do Bitcoin sustentado acima do preço realizado;
- Aumento da participação de holders de longo prazo.
- Estratégia mais segura: DCA (Dollar‑Cost Averaging) e gerenciamento de posição
- DCA: aporte fixo semanal ou mensal, reduzindo o risco de pânico ou de comprar no topo por FOMO;
- Disciplina de posição: alocar de 2 %‑5 % do patrimônio total em cripto, limitar perdas de cada operação a 1 % do capital, manter exposição total abaixo de 30 % e evitar posições totalmente alavancadas.
Conclusão: Os indicadores atuais apontam que o Bitcoin está próximo da zona de fundo potencial; o momento de compra pode estar se formando. Os investidores devem priorizar entradas escalonadas e DCA, combinar sinais macro e on‑chain e gerir rigorosamente o risco.
Lembre‑se de que ganhos provenientes de criptoativos acima de R$35.000 por mês são tributáveis (alíquota entre 15 % e 22,5 %) e devem ser declarados à Receita Federal.
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