
Bitcoin já passou por quatro episódios históricos de sobrevenda extrema em relação ao ouro. Nos indicadores técnicos atuais, há sinais de que poderia disparar um novo superciclo de alta. Assim, com a melhora da liquidez macroeconômica e o apoio de políticas públicas, o BTC pode iniciar uma valorização rápida nos próximos meses.
“Enquanto você não investir em cripto, tudo o mais pode dar lucro.”
Nos últimos tempos, o mercado de cripto tem se comportado de forma bastante divergente em relação a outros ativos globais.
- 2025: o ouro subiu mais de 60 %, a prata disparou 210,9 % e o índice Russell 2000 dos EUA avançou 12,8 %.
- Bitcoin: apesar de ter tocado temporariamente uma nova máxima, a linha anual fechou em baixa.
Ao entrar em 2026, a tendência de divergência se intensificou. Em 20 de janeiro, ouro e prata bateram recordes; o Russell 2000 superou o S&P 500 por 11 dias consecutivos; o índice chinês “Sci‑Tech 50” subiu mais de 15 % no mês. Em contraste, Bitcoin registrou seis quedas consecutivas a partir de 21 de janeiro, recuando de US$ 98 000 (≈ R$ 539 000) para abaixo de US$ 90 000 (≈ R$ 495 000).

Mudança nos fluxos de capital
Desde o final de 2024, os recursos têm deixado massivamente o mercado cripto. BTC tem oscilado abaixo de US$ 100 000 (≈ R$ 550 000) por três meses, entrando em um período de volatilidade historicamente baixa. O sentimento dos investidores está predominantemente desapontado, surgindo a filosofia “ABC” – Anything But Crypto – que significa “tudo, menos cripto, rende”.
A tão esperada “Mass Adoption” da rodada anterior não se materializou através da popularização de aplicações descentralizadas, mas sim pela profunda assetização de cripto por parte de Wall Street. O giro de postura das agências reguladoras e dos gigantes financeiros dos EUA se traduziu em:
- A SEC aprovou ETFs à vista
- BlackRock e JPMorgan alocaram ativos de Ethereum
- O governo dos EUA incluiu Bitcoin em sua reserva estratégica nacional
- Fundos de pensão de vários estados investiram Bitcoin
- A NYSE planeja lançar uma plataforma de negociação de criptoativos
Mesmo assim, Bitcoin tem se mantido fraco enquanto metais preciosos e ações batiam recordes simultaneamente. Por que, sob o endosso de capital global, o Bitcoin não acompanhou a alta das bolsas norte‑americanas?
Analisamos as quatro vezes em que o Bitcoin esteve em sobrevenda extrema, cruzamos esses momentos com a liquidez macro e o cenário regulatório, e investigamos os indicadores técnicos que podem sinalizar um novo ciclo de alta. Este artigo oferece uma visão panorâmica para identificar possíveis pontos de inflexão de preço – leitura essencial para quem acompanha o mercado.
Por que o Bitcoin está fraco?
1. Natureza de indicador avançado
Bitcoin é tratado como um indicador avançado de risco global. O fundador da Real Vision, Raoul Pal, já destacou diversas vezes que o preço do Bitcoin reage principalmente à liquidez mundial, sendo pouco influenciado por relatórios de empresas ou decisões de taxa de juros de um único país. Sua volatilidade costuma anteceder movimentos de índices como o Nasdaq.

Dados da MacroMicro mostram que, nos últimos anos, os pontos de inflexão do Bitcoin precederam as viradas do S&P 500 em diversas ocasiões. Quando a tendência de alta do Bitcoin estagna, costuma ser um prenúncio de perda de ímpeto nos demais ativos de risco.
2. Aperto da liquidez mundial
O preço do Bitcoin ainda está fortemente ligado à liquidez líquida em dólares. Embora o Fed tenha reduzido as taxas em 2024‑2025, o tightening quantitativo (QT) iniciado em 2022 continua drenando liquidez dos mercados. O pico de 2025 foi impulsionado pelos novos fluxos de ETFs, mas não alterou o quadro de liquidez global ainda apertado.
Paralelamente, a segunda maior fonte de liquidez global – o iene – também está se contraindo. O Banco do Japão elevou a taxa de política monetária de curto prazo para 0,75 % em dezembro de 2025, seu maior patamar em 30 anos, reduzindo a atratividade do carry trade em iene. Dados históricos revelam que, desde 2024, cada um dos três aumentos de juros do Japão coincidiu com quedas superiores a 20 % no Bitcoin. O aperto simultâneo do dólar e do iene comprime ainda mais a liquidez global.

3. Incertezas geopolíticas
No início de 2026, as ações unilateralistas do governo de Trump intensificaram os riscos políticos globais – intervenções militares na Venezuela, possíveis confrontos com o Irã, tentativa de compra da Groenlândia e ameaças tarifárias à União Europeia. Esses movimentos colocaram as relações entre grandes potências em uma zona “cinzenta”, substituindo a expectativa de guerra total por conflitos regionais e “incógnitas desconhecidas”.
Nos EUA, Trump propôs renomear o “Departamento de Defesa” para “Departamento de Guerra” e mobilizar tropas contra protestos internos, aprofundando a crise política doméstica. Esse clima de alta tensão faz com que investidores institucionais prefiram manter liquidez em caixa, evitando ativos voláteis como o Bitcoin.

Por que outros ativos continuam subindo?
Metais preciosos, ações norte‑americanas e o mercado A‑share da China têm apresentado força desde 2025, mas seu impulso não vem de melhoria na liquidez macro, e sim de vontade soberana e políticas industriais que criam tendências estruturais.
- Ouro: bancos centrais globais o utilizam como proteção contra fissuras na credibilidade do sistema em dólar. Dados da World Gold Council mostram que, em 2022‑2023, as compras líquidas de ouro pelos bancos centrais superaram 1 000 toneladas em cada ano – recorde histórico. O principal motor da alta do ouro são essas aquisições oficiais, não a especulação de mercado.
- Mercado acionário dos EUA: a “Lei de Chips e Ciência” elevou a inteligência artificial a estratégia de segurança nacional, desviando capital das gigantes de tecnologia para ações de médio e pequeno porte alinhadas ao novo direcionamento político.
- A‑shares da China: o fluxo de recursos está concentrado em setores como “informatização confiável” (信创) e “defesa e aeroespacial”, estreitamente ligados à segurança nacional e à atualização industrial. Essa dinâmica governamental difere totalmente da lógica de precificação do Bitcoin, que depende quase que exclusivamente da liquidez de mercado.
A história pode se repetir?
A divergência entre Bitcoin e demais classes de ativos já ocorreu antes, e cada vez que isso aconteceu, terminou com um forte rebote do Bitcoin. O RSI (Índice de Força Relativa) do Bitcoin em relação ao ouro já apontou sobrevenda extrema (abaixo de 30) quatro vezes:
| Ano | Sobrevenda disparada | Desempenho subsequente |
|---|---|---|
| 2015 | RSI < 30 | Superciclo de alta 2016‑2017 |
| 2018 | RSI < 30 | Recuperação acumulada > 770 % a partir de 2020 |
| 2022 | RSI < 30 | Nova fase de superação ao ouro |
| 2025 | RSI < 30 | Entrada na quarta zona de sobrevenda |
Em 2025, o ouro subiu 64 %, enquanto o RSI do Bitcoin em relação ao ouro voltou ao território de sobrevenda. Historicamente, esse sinal costuma anteceder uma correção de preço significativa.
É sensato perseguir alta em outros ativos?
Durante o boom “ABC”, vender Bitcoin rapidamente para buscar ganhos em outros mercados traz riscos que não podem ser ignorados.
- Russell 2000: acumulou alta superior a 45 % desde o fundo de 2025, mas suas componentes são empresas de baixa lucratividade e alta sensibilidade a juros. Caso o Fed altere sua política, a vulnerabilidade dessas ações pode se manifestar rapidamente.
- Setor de IA: empresas como Nvidia e Palantir já operam com múltiplos históricos elevados. O alto consumo energético da IA pode gerar nova pressão inflacionária, forçando bancos centrais a apertar ainda mais a política monetária – um cenário que aumenta o risco de bolha. Tanto o Deutsche Bank quanto o fundador da Bridgewater, Ray Dalio, apontam a “bolha da IA” como o maior risco de 2026.
- Sentimento dos investidores: pesquisa do Bank of America em janeiro revelou otimismo global no nível mais alto desde julho de 2021, com a parcela de caixa detida pelos investidores caindo para 3,2 % – o menor registro desde janeiro de 2018.
Nesse cruzamento de ativos soberanos em alta, otimismo dos investidores e intensificação de conflitos geopolíticos, a “estagnação” do Bitcoin não representa apenas um “baixo desempenho” relativo ao mercado. Ela funciona como um alerta precoce de riscos macroeconômicos, acumulando energia para uma mudança narrativa ainda maior.
Para os verdadeiros defensores do long‑term, esse é o momento de testar a convicção, resistir à tentação de ganhos rápidos e se preparar para as crises e oportunidades que podem surgir.
Lembre‑se: ganhos superiores a R$ 35 000 por mês devem ser declarados à Receita Federal, com alíquota variando entre 15 % e 22,5 %.
---
Informações de compra localizadas
No Brasil, a aquisição de Bitcoin pode ser feita via PIX (transferência instantânea 24 h), TED ou outras formas de pagamento em BRL. As plataformas que operam no país exigem procedimentos de KYC que incluem CPF e RG ou CNH.
---
Esta é a análise completa sobre “Quarta repetição histórica, Bitcoin (BTC) iniciará um novo superciclo de alta?”. Para mais informações sobre o próximo superciclo do Bitcoin, acompanhe os outros artigos da Bitaigen (比特根)!
Leitura Relacionada
- Bitcoin em queda: efeito da suspensão de tarifas China‑EUA
- CPI EUA em queda: Bitcoin busca liquidez e volatilidade
- Ouro atinge US$5.000, recorde e se afasta do Bitcoin
💡 Cadastre-se na Binance com o código B2345 para o desconto máximo em taxas. Veja guia completo Binance.