Analisamos, a partir de dados macroeconômicos e da cadeia, as causas profundas da recente estagnação do Bitcoin. O artigo combina o último relatório do CPI, a política de juros e a pressão sobre os balanços das empresas de mineração, revelando como o comportamento dos mineradores após o halving impacta o preço, ajudando o leitor a entender a lógica por trás da divergência de mercado. Vale a leitura.

Nos Estados Unidos, após a divulgação de que o CPI de maio recuou e a taxa de juros permaneceu estável, o mercado de ações tradicional registrou novos máximos no dia 12, com os três principais índices subindo simultaneamente. No entanto, no mesmo dia, o mercado de criptoativos manteve-se morno: Bitcoin e Ethereum subiram brevemente para cerca de 70.000 dólares (≈ R$385.000) e 3.657 dólares (≈ R$20.114), respectivamente, antes de recuarem para aproximadamente 67.000 dólares (≈ R$368.500) e 3.500 dólares (≈ R$19.250).
Esse cenário deixou muitos investidores confusos: por que os dois grandes mercados de capital apresentam divergência tão marcada? Quais fatores estão por trás dessa diferença?
Kaiko alerta: queda abrupta na receita de taxas pode gerar onda de vendas de mineradoras
A firma de pesquisa em cripto Kaiko apontou, em seu relatório semanal de meados de maio, que o verão costuma trazer redução na atividade de negociação e aperto de liquidez. O estudo enfatiza ainda que as empresas de mineração de Bitcoin normalmente classificam os bitcoins que detêm como ativos circulantes no balanço, prontos para serem convertidos em caixa em momentos de aperto financeiro. Com a queda significativa nas taxas de transação recebidas pelos mineradores na cadeia, a pressão de venda aumenta – mesmo pequenas liquidações de ativos podem gerar impactos negativos no mercado como um todo.
De acordo com a Kaiko, as duas maiores mineradoras listadas nos EUA detêm, em conjunto, mais de 1,6 bilhão de dólares (≈ R$8,8 bilhões) em Bitcoin. Especificamente, a Marathon Digital possui 17.631 BTC, com valor de mercado ligeiramente acima de 1,1 bilhão de dólares (≈ R$6,05 bilhões); já a Riot Platforms detém 8.872 BTC, cujo valor supera 500 milhões de dólares (≈ R$2,75 bilhões).
A pesquisa 10x Research, que também acompanha o setor de mineração, apontou em seu relatório de abril que, após o halving, os mineradores podem vender cerca de 50 bilhões de dólares (≈ R$275 bilhões) em Bitcoin nos próximos 4 a 6 meses, o que poderia levar a um padrão de consolidação lateral de preço no curto prazo.
QCP Capital: a “rendição” dos mineradores limita a alta do BTC
A plataforma de negociação de ativos digitais QCP Capital oferece outra perspectiva para explicar a fraqueza recente do Bitcoin. Segundo a instituição, desde o quarto halving do Bitcoin, os mineradores enfrentam uma situação de “rendição” – são forçados a cessar operações quando a receita não cobre os custos, reduzindo assim a pressão compradora sobre o preço.
A renda dos mineradores provém basicamente de duas fontes: a recompensa de bloco e as taxas de transação. Para obter lucro, é necessário atender a pelo menos uma das seguintes condições:
- Aumento da receita de taxas
- Valorização do preço do Bitcoin
- Redução dos custos de mineração
O halving cortou a recompensa por bloco de 6,25 BTC para 3,125 BTC. Embora o protocolo de Runas (Runes) tenha, por um período, gerado receitas expressivas de taxas para os mineradores, seu entusiasmo diminuiu rapidamente, provocando queda abrupta nas taxas e comprimindo ainda mais a margem de lucro. Isso leva parte dos mineradores a “renderem”, seja desligando suas máquinas ou migrando para regiões com custos menores.
A QCP Capital acredita que esse fenômeno restringe diretamente o potencial de alta do Bitcoin. Contudo, a instituição também observa que, à medida que mineradores não lucrativos deixam o mercado, o custo médio de mineração tende a cair. As fazendas que permanecem operando não precisarão vender rapidamente os bitcoins que possuem para financiar suas despesas, reduzindo a pressão vendedora no curto prazo e mitigando quedas adicionais de preço.
A empresa ainda projeta que o verão entrará em uma fase relativamente calma: o volume de negociações poderá permanecer em níveis baixos, e a falta de catalisadores significativos limitará grandes oscilações de mercado.
Em resumo, tanto a queda nas receitas de taxas quanto a “rendição” dos mineradores após o halving atuam, em diferentes camadas, como forças de contenção sobre o preço do Bitcoin. Para quem deseja aprofundar a análise sobre a dinâmica da mineração e seu impacto no movimento do Bitcoin, siga a Bitaigen (比特根) e acompanhe as reportagens relacionadas.
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