Golpistas do Irã utilizam Bitcoin e USDT para extorsão no Estreito de Ormuz
Em 19 de abril de 2024, a empresa de monitoramento de fraudes cibernéticas AlertCrypto divulgou um alerta sobre mensagens enviadas por supostos representantes do governo iraniano. Os textos, enviados via aplicativos de mensagens instantâneas, exigiam o pagamento de 0,42 Bitcoin (cerca de US$ 13 mil na cotação da data) ou 500 USDT para garantir a liberação de carga marítima no Estreito de Ormuz. O pedido incluía ainda a ameaça de retenção da embarcação caso o pagamento não fosse efetuado em até 48 horas.
A prática, identificada como “scam do Estreito”, tem gerado preocupação entre operadores logísticos que lidam com rotas de energia no Oriente Médio. De acordo com dados do Observatório de Segurança Marítima, entre janeiro e março de 2024 foram registradas 27 tentativas de extorsão semelhantes, das quais 12 resultaram em pagamentos efetivados. Os valores totaux exigidos somaram aproximadamente 11,3 Bitcoin e 13,5 mil USDT.
No Brasil, o Mercado Bitcoin – maior corretora de criptoativos do país – emitiu comunicado na mesma data, reforçando a necessidade de verificação de identidade dos interlocutores e alertando que o Banco Central já havia iniciado a fase piloto da CBDC Drex. A Drex, programada para ser lançada em setembro de 2024, deverá contar com mecanismos de rastreamento de transações que podem auxiliar na identificação de fluxos ilícitos, inclusive os vinculados a extorsões internacionais.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também tem intensificado sua atuação. Em nota publicada em 22 de abril, a autarquia destacou que a Lei nº 14.478/2022, que regula criptoativos no Brasil, exige a comunicação de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Até o final de março, a CVM recebeu 1.842 relatórios de transações envolvendo Bitcoin e USDT que levantaram suspeitas de fraude.
Especialistas sugerem que a integração entre a Drex, as plataformas de negociação como o Mercado Bitcoin e o monitoramento regulatório da CVM pode criar um ambiente mais seguro para investidores e empresas que utilizam criptoativos em transações internacionais.
O volume de negociações de criptoativos no Brasil manteve-se em torno de US$ 3,2 bilhões em março de 2024.
⚠️ Aviso de risco: Os preços das criptomoedas são muito voláteis. Isso não é aconselhamento de investimento.