
Nos últimos anos, os ETFs de Bitcoin à vista têm registrado fluxos líquidos de saída contínuos. Segundo a estatística mais recente da Farside Investors, o volume diário de saída ultrapassou US$200 milhões (≈ R$1,1 bilhão); ao mesmo tempo, dados do TradingView mostram que o preço do BTC/USD rompeu a marca de US$63.000 (≈ R$346.500), atingindo a mínima de 15 meses desde o início de fevereiro. A Cointelegraph informou que os participantes do mercado deslocaram a nova meta de fundo macro para cerca de US$50.000 (≈ R$275.000). Esses indicadores apontam que o Bitcoin está passando por uma fase de pressão.
Num cenário como esse, Eric Jackson, fundador da EMJ Capital, mantém uma visão otimista sobre o futuro da alocação institucional. Ele acredita que, apesar dos sinais de retirada de capital no curto prazo, há potencial para uma nova onda de investimentos institucionais a longo prazo. Jackson destaca que a entrada de investidores institucionais costuma vir acompanhada de horizontes de manutenção mais extensos, o que cria um processo natural de “purificação” dos “fundos fracos” atualmente presentes.
Neste artigo analisamos a lógica de mercado por trás da venda contínua de ETFs de Bitcoin, investigamos como os fundos institucionais podem “purificar” o mercado durante períodos de fraqueza e discutimos o impacto potencial desse processo nas estratégias compradoras. Por meio de uma análise profunda dos impulsos duplos – ETFs e instituições – ajudamos o leitor a identificar possíveis pontos de inflexão de tendência e a se preparar para o longo prazo.
Principais pontos
- Beneficiado pelo apoio duplo de ETFs e instituições, o Bitcoin está gradualmente se transformando em uma posição tecnológica de alto beta.
- Projeções indicam que os atuais vendedores de ETFs eventualmente cederão lugar a compradores institucionais mais pacientes.
- Só quando a oferta de stablecoins se restabelecer e voltar a se expandir nas exchanges, haverá suporte adicional ao movimento de preço do Bitcoin.
Bitcoin ETF não é “um meio de reserva de valor”
Em um post na rede X na terça‑feira passada, Jackson expôs sua opinião sobre os ETFs de Bitcoin. Ele afirmou que, embora a natureza de ativo do Bitcoin não tenha sido invalidada, o sucesso na forma de ETF revela, na verdade, suas limitações intrínsecas. Escreveu:
“O Bitcoin enquanto ativo não falhou, mas como ETF ele teve sucesso. E é aí que reside o problema.”
Jackson comparou ainda a trajetória de preço do Bitcoin com o iShares Expanded Technology Software Sector ETF (IGV), gerido pela BlackRock, apontando que a queda simultânea dos dois não é mera coincidência. A BlackRock também administra o maior ETF de Bitcoin à vista do mundo – o iShares Bitcoin Trust (IBIT). O preço do IBIT despencou de US$126.000 (≈ R$693.000) para US$63.000 (≈ R$346.500). Cada venda de IGV deixa uma marca no preço do Bitcoin. Ele descreve o fenômeno assim:
“Isso não pode ser considerado um meio de reserva de valor; no máximo, trata‑se de uma ação tecnológica de alto beta com um rótulo diferente.”
“O IBIT mudou a propriedade do Bitcoin.”

Desde o lançamento do IBIT, uma curva hipotética de crescimento baseada em US$10.000 demonstra volatilidade pronunciada. Diferente do ciclo de alta de 2021, nesta fase as instituições têm desempenhado um papel maior como “compradores marginais”, enquanto os investidores de varejo tendem a direcionar recursos para ações de tecnologia. Mesmo com o ouro alcançando máximas históricas, o apelo relativo do Bitcoin permanece limitado. Contudo, Jackson acredita que esse panorama não é irrevogável e que os próximos ciclos podem trazer mudanças.
Ele enfatiza duas possíveis catalisadoras de alta: a redução da pressão de venda do IGV e a expansão da oferta de stablecoins nas exchanges – fatores vistos como gatilhos potencialmente positivos. Sobre isso, Jackson explicou:
“Em cada ciclo, os fundos fracos são eliminados, e são substituídos por capital com horizontes mais longos.”
“2017: preço de varejo em US$20.000 (≈ R$110.000). 2021: preço do fundo em US$69.000 (≈ R$379.500). 2025: os alocadores de ETF vendem a US$63.000 (≈ R$346.500).”
Além da “saída institucional” do Bitcoin
Ao discutir a próxima onda de entrada de capital institucional, Jackson descreve um cenário bem diferente do atual. Ele sustenta que fundos soberanos, departamentos financeiros corporativos e fundos de pensão – capital de longo prazo – não ajustam suas posições com a frequência dos traders de varejo e nem se correlacionam com a volatilidade de curto prazo do IGV. Esses recursos têm capacidade de manter Bitcoin por décadas, oferecendo suporte mais estável ao mercado.
“A saída institucional não representa o fim da teoria do Bitcoin, mas sim sua purificação.”

O fluxo líquido dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos (captura de tela) reforça essa visão. Dados da Farside Investors mostram que as saídas líquidas recentes superam US$200 milhões (≈ R$1,1 bilhão). Ao mesmo tempo, o gráfico de 1 hora do BTC/USD (abaixo) evidencia a negociação em torno da faixa de US$63.000 (≈ R$346.500).

Gráfico de 1 h do BTC/USD. Fonte: Cointelegraph/TradingView
Em suma, embora a venda de ETFs de Bitcoin intensifique a pressão de baixa no curto prazo, a perspectiva de longo prazo indica que esse processo pode, em certa medida, eliminar capital de curto prazo e abrir espaço para investidores institucionais mais pacientes. Para quem quiser aprofundar a análise sobre como o argumento comprador se beneficia da “purificação” provocada pelas vendas, acompanhe as próximas publicações da Bitaigen (比特根).
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