
O Japão é a quarta maior economia do mundo, e o iene representa 5,82 % das reservas cambiais internacionais, ocupando a terceira posição, atrás apenas do dólar e do euro (fonte: FMI). O ambiente de baixas taxas de juros faz com que investidores frequentemente financiem em iene e, em seguida, convertam esses recursos para ativos de maior rendimento, gerando arbitragem em larga escala. Isso transformou o iene em uma das moedas de financiamento mais confiáveis globalmente.
Nos últimos anos, com a mudança de postura dos Estados Unidos, o debate regulatório sobre cripto‑moedas entrou em uma nova fase. O partido no poder no Japão também se posicionou, buscando transformar o país em um hub central para Web3. Um dos pilares dessa estratégia é “tokenizar” o iene, lançando stablecoins lastreadas na moeda nacional. Embora grandes grupos financeiros e bancos já estejam envolvidos, a atividade cripto no varejo ainda se mostra fraca.
Analisamos o tema sob três perspectivas — política, financeira e tecnológica — para entender por que a stablecoin em iene é vista como a chave para o Japão ocupar a posição de destaque em Web3. O artigo examina o plano por trás do white paper governamental, as tentativas de cross‑chain dos bancos tradicionais e os gargalos reais da demanda de mercado, ajudando o leitor a captar a direção geral do ecossistema cripto japonês.
O setor de cripto‑moedas no Japão conta com apoio do governo e de grandes empresas
Em outubro de 2025, Sanae Takahashi tornou‑se a primeira primeira‑ministra mulher do Japão. Pouco depois de assumir, dissolveu a Câmara dos Deputados e convocou eleições antecipadas; o Partido Liberal‑Democrata (LDP) conquistou dois terços dos assentos nas eleições de fevereiro e, em 8 de agosto, confirmou sua reeleição. Em abril de 2024, o governo publicou o *White Paper de Web3*, listando 11 questões cripto que precisam ser resolvidas, incluindo reforma do imposto de renda pessoal, stablecoins e tokens de valores mobiliários.
O CEO do grupo Startale, Sō Watanabe, afirmou em entrevista à *Cointelegraph* que a direção do governo lembra as políticas dos EUA na era Trump, o que favorece a rápida adoção de cripto no território nacional. O SBI Group, um dos maiores conglomerados financeiros do Japão, liderado por Yoshitaka Kitao, também incorporou esses pontos em sua estratégia de blockchain. Kitao, ex‑executivo da Nomura Securities e da SoftBank, fundou o SBI e, em parceria com a Startale, desenvolveu a blockchain Strium, destinada a servir como camada de liquidação para ações tokenizadas e ativos do mundo real (RWA).
Watanabe ressaltou que o SBI vê a próxima fase da cripto girando em torno de valores mobiliários e ações, mas que isso só será viável após aprovação regulatória. “Criar derivativos on‑chain é relativamente simples, porém distribuir dividendos e direitos de voto na cadeia exige conformidade regulatória”, explicou, acrescentando que já estão em negociação com o governo japonês. Além disso, caso os dividendos on‑chain não possam ser liquidados na própria rede, será necessária uma stablecoin lastreada em iene para viabilizar esses pagamentos.
Por que a stablecoin em iene é crucial
O Banco do Japão elevou a taxa de juros de ‑0,1 % para 0,1 % em março de 2024 — a primeira alta em 17 anos — e, em julho do ano seguinte, aumentou novamente para 0,25 %, provocando turbulência nos mercados globais e movimentando o preço do Bitcoin.

Essas mudanças ressaltam a importância do baixo custo de empréstimo em iene dentro do sistema de arbitragem global.
Se uma stablecoin lastreada em iene for emitida, investidores poderão reproduzir on‑chain o tradicional fluxo de arbitragem em iene: primeiro, tomar empréstimos de stablecoins denominadas em iene a juros baixos; depois, usar essas stablecoins como colateral para obter stablecoins denominadas em dólar, executando estratégias de empréstimo, fornecimento de liquidez ou outras operações de rendimento em DeFi. A Startale anunciou nesta sexta‑feira que seu projeto JPYSC será lançado no segundo trimestre, focado em apoiar arbitragem on‑chain de iene. Watanabe declarou: “Com o respaldo de um banco de confiança, instituições globais poderão realizar arbitragem de iene na cadeia, eliminando as restrições de fusos horários e permitindo operações 24 h em tempo real”. Pagamentos podem ser realizados via PIX (instantâneo 24 h), TED ou transferência em BRL, e os usuários precisarão concluir KYC com CPF + RG/CNH.
Entretanto, Justin Danes, responsável pela pesquisa da Arctic Digital, alerta que, sem capitalização de mercado suficiente e apoiadores robustos, a escala da arbitragem on‑chain permanecerá limitada. Watanabe revelou que já dialoga com grandes instituições financeiras norte‑americanas e players de destaque no ecossistema DeFi, embora não tenha divulgado nomes, indicando interesse em parcerias transfronteiriças.
A incerteza regulatória ainda é um obstáculo. O tratamento contábil das stablecoins nos balanços bancários não está definido, e a SEC dos EUA está revisando a taxa de desconto das stablecoins de corretoras, reduzindo‑a de 100 % para 2 %.

A aprovação final das autoridades japonesas será decisiva para que o projeto chegue ao mercado.
A aceleração do desenvolvimento cripto no Japão exclui os investidores de varejo
Hoje, a stablecoin japonesa JPYC, já existente e lastreada em iene, é usada principalmente em pagamentos, com capitalização de cerca de US$ 20 milhões (≈ R$ 110 milhões). Sua liquidez e capacidade de empréstimo ainda são insuficientes para sustentar arbitragem em grande escala. Além da JPYC, os bancos Mitsubishi UFJ, Sumitomo Mitsui e Mizuho estão estudando a emissão conjunta de uma nova stablecoin em iene, demonstrando o crescente interesse das instituições financeiras tradicionais por ativos on‑chain.
A participação do varejo, porém, permanece baixa, em grande parte devido à tributação que pode chegar a 55 % sobre ganhos com cripto‑ativos. O Japão está considerando reclassificar cripto‑ativos como produtos financeiros, e não apenas como meios de pagamento; se aprovado, a alíquota poderia cair para 20 %, permitindo ainda a criação de ETFs baseados em cripto‑ativos, o que abriria novas portas para investidores individuais. Lembre‑se de que ganhos acima de R$ 35 000 por mês devem ser declarados à Receita Federal, com tributação entre 15 % e 22,5 %.

Watanabe projeta que a reforma tributária poderá ser implementada já em 2028, embora ele considere esse prazo ainda tardio. “O governo japonês tem sido lento”, afirmou, “os EUA já avançaram bastante em finanças on‑chain; para alcançar a paridade, é imprescindível flexibilizar a carga tributária antes de 2027”.
Em resumo, o iene, graças à sua vantagem em arbitragem nos mercados de financiamento globais, está gradualmente sendo integrado ao ecossistema financeiro de blockchain. Apesar das barreiras fiscais e regulatórias que limitam a participação do varejo, a combinação de apoio governamental, investimento de grandes instituições financeiras e inovação tecnológica aponta para a stablecoin em iene como o ponto de apoio essencial para que o Japão realize sua visão de se tornar um centro de Web3.
Esta é a análise completa de “Por que a stablecoin em iene se tornou o elemento central da ambição do desenvolvimento de criptomoedas no Japão”. Continue acompanhando as próximas reportagens da Bitaigen (比特根) para mais informações!

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