25 de janeiro, ouro e prata continuaram forte alta, com o ouro à vista rondando cerca de US$ 5.127 (≈ R$ 28.200) por onça, enquanto a prata rompeu pela primeira vez a marca de US$ 100 (≈ R$ 550). Ambos atingiram máximas históricas. Em contraste, o Bitcoin oscilava ao redor de US$ 90.000 (≈ R$ 495.000).
Ouro e prata alcançaram máximas históricas, enquanto o Bitcoin ficou atrás, principalmente devido ao aperto de liquidez, aversão ao risco, migração de fundos institucionais e queda de confiança em ativos denominados em dólar.
Essa divergência destaca uma mudança estrutural nos mercados globais: em um ambiente macroeconômico incerto, os ativos tradicionais de refúgio se mostram fortes, enquanto o Bitcoin sofre com restrições de liquidez e sentimento de risco avesso.
Analisamos neste artigo os motivos macroeconômicos por trás das novas altas do ouro e da prata e explicamos por que o Bitcoin não acompanhou esse movimento. Através da combinação de dados e de análise de sentimento de mercado, ajudamos o leitor a entender as diferenças estruturais entre ativos de refúgio tradicionais e o “ouro digital”, revelando possíveis lógicas de investimento futuro. Quer saber por que os dois metais lideram e por que as criptomoedas estão limitadas? Continue a leitura.
Ouro e Prata continuam a estabelecer novas máximas – fatores profundos impulsionadores
- Estímulo macroeconômico
Em janeiro de 2025, o preço do ouro ultrapassou US$ 2.600 (≈ R$ 14.300), subindo continuamente, e até 23 de janeiro deste ano havia acumulado alta próxima de 100 %.

- Vantagem relativa da prata
A prata é vista como “companheira volátil do ouro”. A partir de abril de 2025, iniciou-se em US$ 30 (≈ R$ 165) e, após oscilações ascendentes, já acumulou alta superior a 300 %.

Fatores‑chave impulsionadores
- Compra de ouro pelos bancos centrais
- O Banco Popular da China adicionou 27 toneladas de ouro às suas reservas em 2025.
- O Reserve Bank of India aumentou a participação de ouro de 10 % para 16 %.
Esse movimento reflete a tendência de desdolarização em um cenário em que a dívida dos EUA supera US$ 36 trilhões (≈ R$ 198 trilhões), tornando o ouro a escolha preferida para proteger contra a desvalorização da moeda.
- Tensões geopolíticas
- A ameaça de tarifas dos EUA à Groenlândia e a intervenção no Irã atraíram fluxos de refúgio, impulsionando o ouro acima de US$ 4.800 (≈ R$ 26.400).
- No mesmo ano, o *Wall Street Journal* registrou queda de 6 % no índice do dólar, aumentando ainda mais a atratividade dos metais preciosos cotados em dólares.
- Independência do Fed questionada
- A investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, intensificou as dúvidas do mercado sobre a independência política do banco central dos EUA, enfraquecendo a confiança de longo prazo no dólar.
- Crescimento líquido de ETFs e reservas dos bancos centrais
- Apesar do preço do ouro estar próximo da barreira dos US$ 5.000 (≈ R$ 27.500), as participações em ETFs globais e as reservas de ouro dos bancos centrais continuam a subir, indicando que os investidores estão mais preocupados com a “barateamento” das moedas fiduciárias do que com o preço intrínseco dos metais.
- Demanda industrial por prata
- Desde 2021, a escassez estrutural de oferta tem se ampliado, com a produção das minas permanecendo estável.
- A demanda por painéis solares, eletrônicos e infraestrutura de IA disparou.
- A China implementou, a partir de 1 de janeiro 2026, restrições à exportação de prata, prevendo déficit anual de 2‑3 bilhões de onças, com o consumo industrial representando 50 % da oferta total.
- No estágio médio‑final de um ciclo de alta de metais preciosos, a prata costuma apresentar correções mais agressivas devido ao seu mercado menor e maior elasticidade. Atualmente, a relação ouro/prata está retornando a níveis ainda abaixo da média histórica.
Economista Hong Hao afirma que, enquanto a expectativa de melhora da liquidez global permanecer, o ciclo de alta da prata deverá continuar. Embora sua volatilidade supere a do ouro, o atributo de “bem essencial para a indústria” oferece suporte sólido.
Por que o Bitcoin está em baixa?
- Movimento de preço
Em 2025, o Bitcoin alcançou o pico de US$ 12.600 (≈ R$ 69.300) e, em seguida, consolidou-se perto de US$ 90.000 (≈ R$ 495.000). Um relatório da Glassnode indica que o Bitcoin perdeu o percentil de custo de suprimento de 0,75, ficando abaixo do custo de 75 % da oferta, o que sinaliza aumento da pressão de distribuição. Caso esse nível não seja recuperado, o mercado tenderá à queda.

- Contração de liquidez
- O Federal Reserve iniciou, a partir de 2022, um ciclo de aperto quantitativo (QT), retirando cerca de US$ 1,5 trilhão (≈ R$ 8,25 trilhão) de reservas, o que limitou a entrada de capital especulativo em ativos de alto risco como o Bitcoin.
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