
O Bitcoin passou, nas últimas quatro semanas, pela correção mais acentuada desde o recorde histórico de US$126.200 (≈ R$694.100) registrado em outubro 2025, com queda acumulada superior a 40 % e atingindo na sexta‑feira a mínima anual de US$59.930 (≈ R$329.615). Analistas apontam que, além de fatores macroeconômicos, três dinâmicas de mercado recentes podem estar sendo os motores principais da continuação da baixa.
Nesta matéria organizamos sistematicamente as principais causas da forte correção do Bitcoin, analisando o uso de alavancagem por fundos de hedge de Hong Kong, a exposição de produtos estruturados de grandes bancos e o impacto da migração das mineradoras para a computação de IA. A decomposição lógica ajuda o leitor a entender a essência da volatilidade e, em seguida, detalharemos cada teoria. Vale a leitura completa.
Visão geral dos pontos principais
- Fundos de hedge de Hong Kong apostaram grandes volumes alavancados em opções vinculadas a ETFs de Bitcoin, sendo vistos como gatilho potencial desta rodada de vendas.
- Bancos como Morgan Stanley mantêm exposição significativa em produtos estruturados de Bitcoin, o que pode forçá‑los a vender de forma defensiva.
- Mineradoras que estão redirecionando recursos para data‑centers de IA reduziram o poder de mineração em 10 %‑40 %, pressionando ainda mais o suporte de preço e aproximando‑o do ponto de equilíbrio dos mineradores.

Mineradoras voltando-se para a inteligência artificial
O analista Jack Gibson destacou no X que, com a demanda por computação de IA crescendo rapidamente, algumas empresas de mineração de Bitcoin começaram a investir em data‑centers, provocando uma retração de 10 %‑40 % no poder de hash total.
Em dezembro 2025, a Riot Platforms anunciou a mudança de foco para serviços de nuvem e IA, vendendo simultaneamente cerca de US$161 milhões (≈ R$885,500.000) em Bitcoin. Logo depois, a IREN revelou que também redirecionaria recursos para data‑centers de IA.
Dados on‑chain mostram que a média de hash nos últimos 30 dias caiu abaixo da média de 60 dias; cruzamentos negativos como esse costumam preceder compressão de receitas das mineradoras e aumento do risco de abandono de mineração. O gráfico de hash versus preço da Glassnode demonstra claramente a tendência de queda conjunta.
Até o sábado passado, o custo estimado de eletricidade para minerar um Bitcoin era de US$58.160 (≈ R$319.880), com despesas operacionais totais por unidade em torno de US$72.700 (≈ R$399.850). Se o preço romper a barreira de US$60.000 (≈ R$330.000), o fluxo de caixa dos mineradores ficará ainda mais pressionado, levando investidores de longo prazo a adotarem postura cautelosa. Dados apontam que carteiras que detêm entre 10 e 10 000 BTC caíram para o menor percentual dos últimos nove meses, indicando que esse segmento está reduzindo posições ao invés de aumentá‑las.
*(Lembre‑se de declarar eventuais ganhos à Receita Federal; ganhos acima de R$35.000/mês são tributáveis entre 15 % e 22,5 %.)*

Aposta alavancada dos fundos de hedge de Hong Kong
Circula a teoria de que a queda abrupta do Bitcoin na última semana teve origem nos mercados asiáticos, particularmente em fundos de hedge de Hong Kong que, confiantes numa continuação da alta, adotaram posições massivas alavancadas.
Parker White, COO e CIO da desenvolvedora DeFi DFDV, revelou que esses fundos utilizam opções atreladas a ETFs de Bitcoin (como o IBIT da BlackRock) e financiam suas posições com empréstimos de baixo custo em ienes. Depois, convertem o iene para outras moedas e investem em cripto, esperando a valorização.
“Hoje o volume negociado do IBIT bateu recorde histórico, quase dobrando o dia anterior, chegando a US$10,7 bilhões (≈ R$58,850 bilhões); o prêmio das opções no mesmo período atingiu cerca de US$900 milhões (≈ R$4,95 bilhões), também um recorde.” — Parker White (06‑02‑2026)
Quando o impulso de alta do Bitcoin cessou e os custos de financiamento em iene subiram, as posições alavancadas ficaram apertadas. Os credores exigiram margem adicional, forçando os fundos a vender Bitcoin e outros ativos de risco, ampliando a queda de preço.

Morgan Stanley e o efeito cascata dos produtos estruturados
Arthur Hayes, ex‑CEO da BitMEX, sugeriu que, além dos fluxos de capital asiáticos, instituições financeiras ocidentais podem estar contribuindo para a atual venda.
Ele explicou que bancos como Morgan Stanley oferecem notas estruturadas vinculadas a ETFs de Bitcoin à vista (como o IBIT) e assumem exposição considerável ao preço. Quando o Bitcoin rompe níveis críticos, como US$78.700 (≈ R$432.850), esses produtos precisam ser hedgeados vendendo BTC ou contratos futuros.
Esse hedge gera um efeito “gamma negativo”: quanto mais o preço cai, maior a pressão de venda dos bancos, criando um ciclo auto‑acelerado que transforma provedores de liquidez em vendedores forçados, pressionando ainda mais o mercado.

Evolução do preço e perspectivas futuras
O gráfico diário BTC/USD mostra que, com a combinação de queda na produção e aumento dos custos de energia, o preço está se aproximando do suporte crítico de US$60.000 (≈ R$330.000). Caso a barreira seja violada, a margem de lucro dos mineradores será ainda mais reduzida, podendo gerar volatilidade ainda mais acentuada no sentimento de mercado.

Em resumo, a venda alavancada dos fundos de hedge de Hong Kong, o hedge de produtos estruturados por instituições como Morgan Stanley e a migração das mineradoras para negócios de IA formam os três pilares que explicam a profunda correção do Bitcoin. Para acompanhar análises mais detalhadas sobre as causas da queda, continue acompanhando os reportagens especiais da Bitaigen (比特根).
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