Mais de dez anos de exploração e perseverança culminaram, em 10 de janeiro de 2024, na aprovação oficial da SEC dos Estados Unidos para o ETF de Bitcoin à vista.

Esse dia coincidiu exatamente com a mesma data, quinze anos antes – quando o pioneiro divulgador de Bitcoin, Hal Finney, postou seu primeiro tweet sobre a criptomoeda: “Running bitcoin”.

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Compilamos a trajetória de mais de dez anos de solicitações para o ETF de Bitcoin à vista, analisando os pontos de inflexão regulatórios mais críticos e relacionando as estratégias adotadas pelos participantes do setor. O objetivo é oferecer ao leitor uma compreensão completa da lógica institucional e do impacto de mercado por trás desse marco. Os capítulos subsequentes revelarão mais detalhes — vale a leitura cuidadosa.
Uma década percorrida: a trilha de solicitações do ETF de Bitcoin à vista
O processo de avaliação do ETF de Bitcoin à vista atravessou vários ciclos de criptomoedas, período em que inúmeras instituições de gestão de ativos tradicionais passaram a participar e experimentar.
2013 – O ponto de partida das primeiras solicitações
- Winklevoss Bitcoin Trust: Em julho de 2013, os gêmeos Winklevoss enviaram sua primeira solicitação de ETF à vista, que foi rejeitada pela SEC. Em março de 2017 eles tentaram novamente; em julho o pedido foi novamente recusado, sob a justificativa de que o mercado de Bitcoin carecia de supervisão suficiente, podendo gerar fraudes ou manipulação.
- Grayscale Bitcoin Trust (GBTC): Iniciou a captação de recursos em 2013 e, em 2016, submeteu um pedido de ETF à SEC. Durante a maior parte de 2017 manteve diálogos com os reguladores, mas acabou retirando a solicitação no mesmo ano.
- VanEck Bitcoin Trust: Em agosto de 2018, a gestora VanEck, em parceria com a empresa de blockchain SolidX, apresentou o pedido; em setembro de 2019 a SEC o rejeitou.
- Bitwise Bitcoin ETP Trust: Em janeiro de 2019, a Bitwise enviou sua solicitação de ETF à vista; em janeiro de 2020, por preocupações regulatórias, retirou o pedido por iniciativa própria.
- Kryptoin Bitcoin Trust: A empresa de Delaware, Kryptoin, tentou pela primeira vez listar um ETF à vista na NYSE Arca em outubro de 2019, mas foi recusada pela SEC ainda no final daquele ano.
2021 – O surgimento do reconhecimento institucional
Durante o bull market de 2021, várias empresas listadas (como a Tesla) passaram a deter ou aceitar pagamentos em Bitcoin, elevando a aceitação da criptomoeda no ambiente financeiro dos EUA e gerando um novo pico de solicitações de ETFs à vista.
- Purpose Bitcoin ETF: Em fevereiro de 2021, a Purpose Investments, sediada em Toronto, lançou o primeiro ETF de Bitcoin à vista.
- Valkyrie Bitcoin Fund: Submeteu o pedido em janeiro de 2021 e foi rejeitado no final do ano; no início de 2022, seu ETF de mineração de Bitcoin foi aprovado, incluindo empresas como Argo Blockchain e Bitfarms.
- WisdomTree Bitcoin Trust: Em março de 2021, apresentou o formulário S‑1, planejando listar na Cboe BZX sob o código BTCW, mas foi negado pela SEC no final do ano.
- Ark 21Shares ETF: Em junho de 2021, a Ark Invest, liderada por Cathie Wood, juntou‑se à suíça 21Shares para apresentar a solicitação; foi rejeitada no início de 2022, novamente em janeiro de 2023 e, em 25 de abril, reenviou o pedido.
- Bitwise Bitcoin ETP Trust: Reapresentou a solicitação em outubro de 2021; em novembro foi recusada, com a SEC apontando que a Cboe BZX não oferecia medidas suficientes contra manipulação.
- Invesco Galaxy Bitcoin ETF: Em 22 de setembro de 2021, a Galaxy Digital e a Invesco uniram forças para submeter o pedido; no final do ano, a SEC voltou a negar.
- Kryptoin Bitcoin Trust: A segunda tentativa, feita em abril de 2021, também foi postergada pela SEC e rejeitada ao final do ano.
- GlobalX Bitcoin Trust: Enviou a solicitação em julho de 2021; em março de 2022, devido a atraso na aprovação, foi recusada.
- Grayscale Bitcoin Trust (GBTC): Em 29 de novembro de 2021, pediu a conversão do GBTC em ETF; em 29 de junho de 2022, a SEC rejeitou, levando o fundo a interpor recurso. O litígio perdurou até agosto de 2023, quando o gravame foi revertido a favor da Grayscale.
2023 – A nova onda que se forma
- Ark 21Shares reenviou a solicitação em abril de 2023.
- BlackRock entrou oficialmente na disputa em junho de 2023, apresentando o documento S‑1 para o iShares Bitcoin Trust. Essa movimentação foi vista como um ponto de inflexão crucial para o setor.
- A vitória da Grayscale impulsionou ainda mais as expectativas de aprovação de ETFs à vista.

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Pontos de virada: a entrada da BlackRock, a vitória da Grayscale e a regulação da Binance
1. A mudança de postura da gigante de gestão de ativos
No início de 2023, o CEO da BlackRock, Larry Fink, declarou publicamente que o Bitcoin representa um ativo global capaz de superar moedas tradicionais. Em 15 de junho, a BlackRock submeteu o registro S‑1, iniciando a solicitação do iShares Bitcoin Trust como ETF à vista. Considerando a taxa de aprovação de ETFs da BlackRock (255/256), sua participação foi encarada como um forte choque à posição da SEC. Em seguida, Bitwise, VanEck, WisdomTree, Invesco Galaxy, Fidelity, Valkyrie, GlobalX, Hashdex, Franklin e Pando também enviaram ou reenviaram pedidos, gerando um intenso surto de solicitações na segunda metade de 2023.
2. O avanço judicial da Grayscale contra a SEC
Após múltiplas recusas, a Grayscale, em 29 de agosto de 2023, obteve aprovação de seu pedido de recurso no Tribunal de Apelações de Washington. O juiz entendeu que a SEC aplicava padrões regulatórios diferentes ao Bitcoin à vista e aos seus derivados, exigindo que a agência revisasse o pedido da Grayscale de forma imparcial. Embora a SEC tenha continuado a postergar a decisão final, o veredicto aumentou significativamente a confiança do mercado na possibilidade de aprovação.
3. Pressões regulatórias sobre a Binance e o impacto no ecossistema
Em 2023, autoridades norte‑americanas intensificaram a fiscalização sobre a Binance, principal exchange de criptomoedas do mundo. As investigações sobre possíveis violações de leis de combate à lavagem de dinheiro (AML) e de know‑your‑customer (KYC) geraram inquietação entre investidores institucionais, que passaram a exigir maior transparência e compliance antes de apoiar fundos baseados em cripto‑ativos. Essa pressão acabou reforçando o argumento de que um ETF de Bitcoin à vista necessitaria de salvaguardas robustas contra manipulação e fraude.
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Conclusão preliminar
A aprovação da SEC em janeiro de 2024 marca o fim de uma jornada de mais de dez anos, repleta de recusas, recursos judiciais e mudanças estratégicas de grandes gestores de ativos. O cenário atual demonstra que a convergência entre demanda institucional, pressão regulatória e precedentes judiciais criou um ambiente mais favorável para que os ETFs de Bitcoin à vista sejam finalmente lançados nos mercados norte‑americanos. Nos próximos capítulos, analisaremos os detalhes operacionais dos primeiros fundos aprovados, os impactos esperados sobre a liquidez do Bitcoin e as oportunidades para investidores brasileiros que desejam acessar esses produtos por meio de corretoras que aceitam pagamentos via PIX (instantâneo 24 h) ou TED, com liquidação em BRL, e que exigem KYC com CPF + RG/CNH.
*Observação*: Caso você obtenha ganhos em operações com ETFs de criptomoedas que ultrapassem R$ 35.000 por mês, é obrigatório declarar à Receita Federal, com tributação variando entre 15 % e 22,5 %, conforme a faixa de renda.
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